Sobre o Livro: Entre Silêncios e Eternidades
Há livros que desejam ensinar, outros que desejam convencer e livros que pretendem responder aos questionamentos humanos mas, este não.
Estas páginas nasceram de perguntas que permaneceram sem respostas, de silêncios que se recusaram a ser revelados e de reflexões que encontraram morada nas horas mais quietas da minha simples existência.
Entre o ruído dos dias difíceis e das horas sem dormir na vastidão das noites, descobri que a vida não é uma equação a ser resolvida, mas um mistério a ser contemplado e vivido com leveza e intensidade.
Passamos boa parte da nossa jornada acreditando que compreenderemos tudo: o tempo, a dor, os encontros, as despedidas, os sonhos interrompidos e os caminhos que nunca percorremos. Contudo, quanto mais avançamos, mais percebemos que a sabedoria não está em possuir todas as respostas, mas em aprender a conviver com as perguntas.
Foi dessa percepção que nasceu este livro.
Esse é o meu convite para caminharmos juntos por territórios que pertencem a todos nós; O tempo que escapa entre os nossos dedos, os labirintos da alma por onde nos perdemos, as sombras do passado que nos afligem, as escolhas que moldam nosso destino e a silenciosa busca pela eternidade que habita o coração humano.
E, no entanto, Deus fez tudo apropriado para seu devido tempo. Ele colocou um senso de eternidade no coração humano, mas, mesmo assim, ninguém é capaz de entender toda a obra de Deus, do começo ao fim. Concluí, portanto, que a melhor coisa a fazer é ser feliz e desfrutar a vida enquanto é possível.
Eclesiastes 3:11-12 NVT
Não escrevi estas páginas como quem aponta direções. Escrevi como quem compartilha uma caminhada, e que busca constantemente dar sentido a sua própria existência.
Há momentos em que você encontrará reflexões suaves como a brisa da manhã. Em outros, talvez encontre palavras que toquem feridas antigas ou despertem memórias adormecidas. Isso faz parte da minha jornada e seus contrastes. Nessa jornada que compartilho com você, aprendi que a alma, assim como a terra, precisa ser revolvida de tempos em tempos, oxigenada e arada para que novas sementes possam florescer.
Vivemos em uma época onde as pessoas valorizam a velocidade desejam tudo rápido e de forma instantânea, mas negligenciam a profundidade. Corremos tanto que esquecemos de ouvir o som dos próprios passos. Acumulamos informações, mas raramente encontramos espaço para contemplações do que está a nossa volta, pequenos valores se foram, e acabamos na sequidão e sem sentido.
Este livro é um convite para puxarmos o freio de mão, não para fugir da vida ou parar de viver ou sonhar, mas para habitá-la com mais consciência e profundidade, e assim existir com propósito e missão.
Não para encontrar certezas absolutas, mas para enxergar beleza nas incompletudes, e entender que não podemos levar as coisas a ferro e fogo.
Talvez você leia algumas páginas e se reconheça nelas. Talvez encontre pensamentos que jamais havia considerado. Talvez discorde de algumas reflexões. Tudo isso é legítimo. Afinal, cada ser humano carrega dentro de si um universo único, e apesar desse livro não ser minha biografia, eu estarei presente nele, pois ele é a voz daquilo que faz parte de mim.
Ao longo destas páginas, você perceberá que o silêncio não é vazio, o silêncio é presença, é nele que ouvimos a voz da nossa Alma com seus medos e anseios. É no silêncio que reencontramos partes esquecidas de nós mesmos, é no silêncio que a eternidade por vezes, se manifesta.
Se estas reflexões conseguirem despertar em você, assim como despertou em mim, um olhar mais atento para a vida, uma compreensão mais profunda sobre a alma ou um instante de verdadeira contemplação, então terei cumprido o meu propósito ao escrever esse livro.
Foi pensando em quantos assim como eu precisei, não necessitam de um reencontro. Agora, convido você a caminhar, sem pressa, sem a obrigação de chegar, apenas caminhar. Porque algumas verdades não se revelam aos que correm, mas aos que aprendem a escutar os silêncios que existem entre um passo e outro. E talvez seja justamente, entre silêncios e eternidades, que descubramos quem realmente somos.